Casca de ferrugem

Rubra, cheiro agridoce

De sangue

Craquelada

Aos poucos...

Estilhaços tirados

Estalares dos dedos

As letras mudas

Agora vêem a luz

Levantam do papel

Saem do ovo

E...

São levadas pelo vento

Bailarinas

Rodopiam e se perdem

Nas palavras

Paridas e brilhantes

Sabor do novo



Escrito por AnninhA às 13h22
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.corto.acostumo.costuro.rumo.

.relato.enfarto.mato.morro.

.corro.peço.socorro.vivo.

.respiro.durmo.aspiro.sinto.

.minto.admito.equilibro.lagrimo.



Escrito por AnninhA às 17h02
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Em algum momento

Eu fiz uma curva mal feita

Não vi o sinal amarelo...

Acho que a faixa atravessou em mim

Momento... em algum

Presto atenção no retrovisor

Sirvo-me de algodão doce...

Ainda amargam os reflexos...

Em momento algum

Tenho certeza...



Escrito por AnninhA às 19h44
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Talvez o que mais tenho medo

É de mostrar que tenho medo.

Isso me trava.

Mas, já me olhei no espelho.

Não uso capa, nem espada.

Sou mulher...Sem maravilha.

As vezes sou fraca sim...e daí?

Atire o primeiro gelo no copo

Quem nunca teve medo do escuro?

Tenho muito medo sim...de baixar o escudo

E me ferir...mas se eu não arriscar

O que vou sentir além de medo?



Escrito por AnninhA às 16h26
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tuas curvas

turvas

uma phoenix

encontrei um reflexo

perdido em onix

imagem explícita

de mim

implícita em

minha orelha

fogo reaceso

cinzas guardadas

o cheiro fica

em uma roupa

com numero ímpar



Escrito por AnninhA às 23h46
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verbos em meu paladar
tempo ácido
mais que passado
transições indiretas
e retas
no meu peito oco
falo
porque minha lingua quer
quero,
pois conjugo
e julgo teu beijo
advérbio
de vontade perdida


Escrito por AnninhA às 16h03
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Começo...

Com um ponto final

Pingo de i

Gota de orvalho

No céu cinza

No meio do mato

Uma flor

Pétalas alaranjadas

E amarelas

Fogo pra derreter

O cubo de gelo

Do meu Whisky

Dourado

Ouro de tolo

Sem amarras

Hoje vou ver

O sol nascer

E elaborar

Esse começo...

 

 



Escrito por AnninhA às 20h40
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INDIGNação

 

Alcova com

Linhas expostas

Obtusas e confusas

Duplos desentendimentos

Tríplice de

Absurdos obscuros

Periferia fria

De sentimentos

Rabiscos tortos

Perfilo razões

No paredão

Fuzil em punho

Incrédula

Em minha ronda

De profanas

Convicções

A abstrata

E infantil

Figura

Repousa

Sobre o papel

Embebido

Em cicuta



Escrito por AnninhA às 12h53
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Meu corpo

Nu e morto

Vestígios

Embebidos em suor

Almofadas me cercam

Amparam

Minha queda

O mofo

No sentido

Sem substrato

Um vestido

Meticulosamente

Largado

Ao meu lado

Perfume de laranjeira

Entranhado

Em minhas mãos

Um farfalhar

Asas de borboleta

Coreógrafas do ar

Bailado absorto

Escrito por AnninhA às 11h47
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O flerte

Fio da navalha

Ando sobre a linha

Que divide o meu

Existir

A velha senhora

Acena em minha

Direção

Com um sorriso

Que ainda não interpretei

Ela tem me sondado

Flerta comigo

As folhas pelo chão

Marcam talvez

Um caminho sem volta

Perambulo...

Em um tempo

Onde as horas

São os prelúdios

Do crepúsculo

Procuro meus

Escrúpulos

Já indomesticáveis

Meu pulso

Goteja

Continuo a ronda

Até o amanhecer

Posso com o sol

Quem sabe

Acalmar minha

Respiração

Linha final



Escrito por AnninhA às 09h54
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Poesia do lixo

Latas amassadas

Letras estragadas

Frangalhos de palavras

Frases esfarrapadas

Desculpas

Esgarçadas

De uma língua

Inexoravelmente

Deliciosa

Prolixo discurso

Fatídico início



Escrito por AnninhA às 07h40
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Nas mãos

As marcas...

De cortes

Cicatrizados

Mas, que...

Ainda latejam

A dor

Está na lembrança

De um tempo

Que, paulatinamente...

Vira um passaro

E migra...

A pele se regenera

Nas mãos

do desabafo...

 



Escrito por AnninhA às 15h49
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Moldes em gesso

Perpetuação

De tuas formas

Pincel embebido

Em ocre

Forjo teus punhos

Em brasa

Quebro elos

Da onipotência

Grito e depuro

Liquefaço o metal

Do desejo puro

Aspeando a certeza



Escrito por AnninhA às 19h59
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Por dos Anjos

O céu

Tons imaculados

Azul

Vermelho

Dourado

Anjos passeiam

Pela cúpula

Púrpura

Sem culpa

O sol se põe



Escrito por AnninhA às 13h17
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Via Crucis

 

Como adornos

De um rabo de pavão

Com penas

Deixadas no chão

Servindo de migalhas

Marcando um caminho

Que não se sabe

Onde vai dar

Um cavaleiro

Em armadura de bronze

Com o rosto coberto

Por um elmo translúcido

Leva uma leve bandeira

Bordada com suor

Conchas e lantejoulas

Que reflete

A chama das tochas

Que ladeiam o percurso

Percalços

Pés nus

Segue a trilha

Do horizonte de mercúrio

Ferraduras duras

Deixam calos

Em quem cavalga

E vaga

Nessa imensa

Planície de hipócritas

Sucumbindo

Em lagrimas de alivio



Escrito por AnninhA às 09h08
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